AMARRAÇÃO a série das FITAS

Na contínua busca por novas ideias e possibilidades surge AMARRAÇÃO, uma série baseada em identidade, história e lembranças.

Quem vive, visitou ou mesmo teve contato com o povo baiano e sua cultura, deve se lembrar das fitas do Bonfim, fitas multicoloridas a qual quando amarradas por 2 voltas e tres nóis permitem 3 pedidos, um pedido para cada nó, que so se concretizam quando a fita arrebenta sozinha.

Os primeiros registros da fitinha do Bonfim são de 1809, mais de dois séculos atrás. Quem criou foi o tesoureiro da Devoção de Nosso Senhor do Bonfim, Manoel Antônio da Silva Serva, com o objetivo de conseguir recursos para a igreja no século XIX. Manoel era livreiro, editor e tipógrafo – foi ele, inclusive, que fundou a primeira tipografia da Bahia.

Essa ideia das fitas sempre esteve em minha mente, até porque essas fitas estão nos pulsos e tornozelos de muitas pessoas, amarradas em portas e igrejas pela Bahia e até em decoração, e assim como o tema da CAPOEIRA ( outra série que tenho trabalhado), queria usar esse material e tema já antigo, numa tentativa de modernizar a identidade o objeto e a tradição, apontando novas possibilidades. Além disso, gostaria de sentir saudades da tinta, criei ao longo da carreira alguns objetos e esculturas, mas a tinta sempre está lá, buscava algo que me desse prazer de pintar mas que não fosse construída com acrílica, spray, marcadores etc. Então surge a ideia de criar profundidade usando as fitas do Senhor do Bonfim.

Quando nasceu, aliás, a fita do Bonfim nem tinha esse nome. Era conhecida como “Medida do Bonfim”. O batismo foi justamente porque media 47 centímetros de comprimento, tamanho do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim, que está na basílica.

Nessa época, a “medida” chegava a ter entre seis e sete centímetros de largura. Era branca, feita em algodão ou seda, com o desenho e o nome do Santo bordados à mão. O acabamento era feito em tinta dourada ou prateada, como fios de ouro.

Segundo registros históricos, depois de ter passado por algumas mudanças, a Medida do Bonfim desapareceu no início da década de 1940.

Os primeiros registros da fita do Bonfim que conhecemos hoje são de meados da década de 1950. Naquela década, as fitinhas já eram vendidas como souvenirs nas ruas de Salvador. A indústria do turismo, aliás, foi a principal responsável para que surgissem as fitinhas atuais – divulgadas, desde então, como um adereço diferenciado e com poder de realizar milagres. Já naquela época, tinha gente que acreditava que a fita não deveria ser comprada, mas sim, presenteada.